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BIM: muito além de um modelo tridimensional

08/10/2026

Quando se fala em Building Information Modelling (BIM), é frequente a associação a ferramentas de modelação, como o Revit ou o Archicad, ou à criação de modelos tridimensionais (3D). Embora estes elementos possam integrar um processo BIM, o seu âmbito é mais abrangente. Trata-se de uma abordagem estruturada e colaborativa à produção, organização, partilha e utilização de informação ao longo do ciclo de vida de um ativo, suportada por processos, regras, responsabilidades e tecnologias. O modelo digital constitui, neste contexto, uma das formas de representação da informação. Dependendo da fase do ciclo de vida e do tipo de empreendimento, podem estar envolvidos, entre outros, o dono da obra, projetistas, empreiteiros, subempreiteiros, técnicos de segurança, gestores de ativos, equipas de manutenção e utilizadores. O objetivo é procurar assegurar que a informação necessária é produzida e disponibilizada no momento adequado, pelas entidades responsáveis e segundo requisitos previamente definidos. Esta abordagem pode contribuir para reduzir a perda de informação entre diferentes fases e intervenientes, melhorar a coordenação e apoiar a tomada de decisão. O BIM acompanha, assim, diferentes fases do ciclo de vida do ativo, desde a conceção e projeto, passando pela construção, até à utilização, manutenção e eventual desconstrução ou fim de vida.   BIM na construção Para uma empresa de construção, a utilização de informação digital no âmbito de processos BIM, poderá traduzir-se, entre outros aspetos, em:
  • Apoiar a preparação e planeamento da obra;
  • Melhorar a coordenação entre projetos e especialidades;
  • Identificar incompatibilidades e interferências antes da execução;
  • Apoiar a medição, orçamentação e planeamento;
  • Facilitar o acompanhamento e controlo da execução
  • Estruturar e disponibilizar a informação necessária à entrega e utilização do ativo.
  • Melhorar a transferência de informação entre os diferentes intervenientes e fases do projeto.
  A vantagem não está, por isso, apenas na capacidade de visualizar um projeto em três dimensões, está na possibilidade de dispor da informação certa, estruturada e acessível para apoiar as decisões ao longo do ciclo de vida do ativo.   Implementação do BIM Adotar BIM não significa que uma empresa tenha necessariamente de desenvolver internamente todas as competências ou adquirir todas as ferramentas associadas. O primeiro passo é compreender que informação é necessária, quem é responsável pela sua produção, como deve ser estruturada, onde deve ser disponibilizada e como será utilizada. A tecnologia é um meio para suportar estes processos, mas não substitui a definição de procedimentos, responsabilidades e requisitos de informação. É precisamente neste enquadramento que a série EN ISO 19650, referência internacional para a organização e digitalização da informação relativa a edifícios e obras de engenharia civil, incluindo a gestão da informação utilizando BIM, ganha relevância . A série estabelece princípios e processos para a gestão da informação, aplicáveis às diferentes fases do ciclo de vida do ativo e proporcionais à sua dimensão e complexidade.   Interveniente e responsabilidades A gestão da informação envolve diferentes partes com responsabilidades distintas, entre os principais papéis encontram-se:
  • Entidade Adjudicante: a entidade que define os requisitos de informação e as necessidades associadas ao ativo, podendo corresponder, consoante o contexto, ao proprietário, dono da obra ou entidade que contrata os serviços;
  • Adjudicatário Principal: a entidade responsável pela gestão e coordenação da informação da sua equipa e assegurar a sua coordenação de acordo com os requisitos estabelecido;
  • Adjudicatário: a entidade responsável pela produção e disponibilização da
informação que lhe foi atribuída, podendo incluir projetistas, empreiteiros, subempreiteiros ou outros prestadores de serviços. Estes papéis não correspondem necessariamente a entidades distintas: consoante a dimensão e complexidade do projeto, uma mesma organização pode assumir diferentes papéis. A definição das diferentes responsabilidades permite perceber que o BIM não é uma responsabilidade exclusiva do projetista ou do responsável pela modelação. É um processo que envolve diferentes organizações e competências, com responsabilidades distintas na produção e gestão da informação.   Gestão da informação Definidos os intervenientes e as respetivas responsabilidades, importa perceber como a informação é gerida ao longo do processo. A abordagem BIM pode ser compreendida através de diferentes atividades de gestão e produção de informação que se articulam ao longo do ciclo de vida do ativo. Entre os principais elementos a considerar, destacam-se:     Uma visão que ultrapassa o modelo 3D O valor do BIM ultrapassa a criação de um modelo tridimensional. Sem um objetivo claro para a informação, o BIM corre o risco de se transformar apenas num desenho 3D dispendioso. É, por isso, fundamental começar por definir O OBJETIVO, a informação necessária, que modelos se pretende obter, quem os irá utilizar, avaliar e validar e para que finalidade. O dono de obra deve definir os objetivos e requisitos de informação. Com base nesses requisitos, a equipa de projetistas desenvolve e coordena o projeto, assegurando a qualidade e consistência da informação antes da sua entrega. Em obra, o construtor pode utilizar a informação disponibilizada para apoiar a preparação e execução dos trabalhos, realizar medições, acompanhar a evolução da obra e registar as alterações que ocorram durante a execução. O modelo deve, assim, constituir um instrumento de apoio à tomada de decisão fundamentada, e não apenas um elemento instrutório do processo. Na fase de operação, os utilizadores e as equipas de gestão e manutenção recorrem à informação do ativo para apoiar a sua utilização, manutenção e gestão. Ao longo do ciclo de vida, esta informação pode ainda apoiar decisões relativas à alteração, reabilitação, desativação ou desmantelamento do ativo. O que importa, portanto, saber:
  • Por que razão é necessário?
  • Que informação deve conter?
  • Quem é responsável pela sua produção e como será utilizada?
O verdadeiro valor do BIM não está, apenas no modelo que se consegue criar, mas na informação que se consegue gerir, partilhar e utilizar para apoiar decisões ao longo do ciclo de vida do ativo. É também esta visão mais ampla do BIM que a AICCOPN procura transmitir às empresas associadas, acompanhando a evolução da normalização e das práticas de digitalização do setor.
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